O clima político em Custódia esquentou de vez na última terça-feira (16). Por maioria de votos, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) decidiu manter a cassação dos mandatos do prefeito Manoel Messias de Souza e da vice-prefeita Anne Lúcia Torres Campos de Lira, eleitos nas eleições de 2024. A decisão acompanhou o voto da relatora, a desembargadora eleitoral Roberta Viana Jardim, e caiu como uma bomba no meio político local.
Nos bastidores do julgamento, o entendimento predominante na Corte foi de que houve uso da máquina pública de forma explícita durante o período eleitoral. O Recurso Eleitoral nº 0600192-60.2024.6.17.0065, originado de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), confirmou a prática de abuso de poder político e econômico, especialmente por meio de contratações irregulares de servidores temporários em ano eleitoral e pagamentos considerados atípicos às vésperas da eleição.
Segundo a decisão, esses recursos teriam sido utilizados para financiar militância e até compra de votos, comprometendo a lisura e a legitimidade do pleito em Custódia. Ainda assim, a Corte afastou a punição de inelegibilidade do prefeito e da vice, por não haver provas de participação direta nas irregularidades, embora tenham sido beneficiados por elas — fator suficiente para a cassação dos diplomas.
Quem saiu com a situação mais delicada foi o ex-prefeito Emmanuel Fernandes de Freitas Góis. Para ele, o TRE-PE manteve a inelegibilidade por oito anos, a contar de 2024, reforçando o entendimento de que teve papel central nas práticas irregulares investigadas.
Apesar de ainda caber recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a decisão do TRE-PE tem efeito imediato. Nos bastidores, o cenário é de incerteza total: aliados tentam ganhar tempo com a possibilidade de recurso, enquanto adversários já se movimentam de olho em uma nova configuração de poder no município. Custódia, ao que tudo indica, ainda terá muitos capítulos nesse enredo político.



