A tradicional subida ao Morro da Conceição, no Recife, mais uma vez cumpriu seu papel religioso e político neste domingo (7), reunindo fiéis, lideranças e pré-candidatos em um dos momentos mais simbólicos do calendário pernambucano. Em ano pré-eleitoral, os movimentos ganham ainda mais relevância — e, entre eles, o protagonismo crescente de Miguel Coelho (UB) se destacou ao caminhar lado a lado com o prefeito João Campos (PSB).
Durante a manhã, João Campos esteve no Morro e rapidamente atraiu três pretendentes ao Senado: o ministro Silvio Costa Filho (Republicanos), Marília Arraes (SD) e Miguel Coelho. A presença do ex-prefeito de Petrolina, no entanto, chamou atenção por sua capacidade de articulação e pela naturalidade com que transita ao lado da maior liderança política do Recife, ampliando a impressão de que seu nome pode ganhar ainda mais peso na composição da chapa governista em 2026.
A expectativa é que João Campos só anuncie seus companheiros de chapa após o Carnaval, mas o gesto de Miguel ao subir o Morro mostra que ele já se coloca como figura relevante no debate majoritário.
Apesar de defender publicamente a candidatura do PSB ao Senado e reforçar que está pronto para a disputa, Miguel ainda depende da decisão da recém-criada Federação União Progressista, presidida pelo deputado Eduardo da Fonte (PP), aliado da governadora Raquel Lyra (PSD), que também deseja a vaga no Senado. Mesmo assim, o posicionamento firme de Miguel ao lado de João Campos evidencia que, caso seja escolhido, ele entra competitivo e com potencial de unificar diferentes setores do campo governista.
Silvio Costa Filho também busca espaço. Presidente do Republicanos, ele carrega o simbolismo de ter sido o primeiro aliado a declarar apoio à reeleição de João Campos em 2020 e, hoje ministro de Portos e Aeroportos, conta com a simpatia do presidente Lula (PT).
Marília Arraes, por sua vez, mantém seu movimento estratégico. Ela também esteve ao lado de João e chegou a ter uma conversa reservada com o prefeito sobre a disputa de 2026. Nas pesquisas, quando incluída, aparece à frente — mas seu partido, o Solidariedade, não oferece a mesma musculatura política de siglas mais robustas da base do prefeito.
O PT, embora não tenha acompanhado a comitiva com o senador Humberto Costa, esteve representado pelo presidente estadual Carlos Veras. O partido ainda não definiu posição na chapa majoritária, mas Veras admitiu, após se reunir com João na sexta-feira, que já estão dialogando. Os petistas mantêm como condição para uma eventual aliança a presença de Humberto em uma das vagas ao Senado.
Enquanto isso, o cenário da romaria reforçou a dimensão política do ato. Deputados, lideranças e pré-candidatos circularam durante todo o dia, aproveitando a energia popular para fortalecer suas bases.
Em sua fala, João Campos destacou o simbolismo do momento:
“Subir o Morro da Conceição é mais que tradição. É reafirmar a nossa fé, a nossa história e o compromisso com o Recife que a gente quer um Recife de oportunidades, de respeito e de justiça social. Estar aqui, junto do povo, com fé renovada e vontade de trabalhar, me dá a certeza de que Pernambuco pode seguir unido, com pluralidade, diálogo e esperança de futuro”.
Entre os que reforçam esse discurso de unidade, Miguel Coelho é hoje um dos nomes mais comentados — tanto pela experiência administrativa quanto pela capacidade de dialogar com diferentes grupos, o que o coloca como um dos quadros com maior potencial na engrenagem política que se forma ao redor de João.
A Festa do Morro será encerrada nesta segunda-feira (8), quando novamente as principais lideranças do estado subirão a ladeira. João Campos retornará ao santuário, e a governadora Raquel Lyra também estará presente com sua comitiva, ampliando ainda mais os sinais de que a disputa pelo Senado está aberta — mas, ao que tudo indica, com Miguel Coelho cada vez mais bem posicionado no tabuleiro.



