O prefeito João Campos (PSB), que ainda está no período de lua de mel com a deputada Tabata Amaral (PSB) parece ter esquecido uma regra básica do “relacionamento” político: o pedido até pode ser surpresa mas para anunciar um noivado, é de bom tom avisar ao cônjuge. Em uma performance digna de Ellon Musk, engatou a “marcha à ré no foguete” mais rápida da história política recente do Recife, e conseguiu a proeza de cancelar o lançamento de sua chapa majoritária menos de 24 horas depois de alardear que tudo estava pronto.
O plano era infalível, digno das táticas de Vicente Feola na Copa de 58: o prefeito encabeçaria a chapa, tendo Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) como candidatos ao Senado, com o evento marcado para esta quinta (19), às 17h, em um hotel no Pina, Zona Sul do Recife. O único “pequeno” detalhe é que o grupo esqueceu de alinhar a jogada com uma das peças-chave: o Partido dos Trabalhadores. Como diria a lenda de Garrincha, faltou combinar com os russos
A situação chegou ao ponto do surrealismo político: nem o próprio Humberto Costa havia sido convidado para o seu próprio anúncio. Enquanto João Campos já via a foto oficial pronta no Hotel Luzeiros, Humberto estava bem longe dali, iniciando uma peregrinação por nove municípios do Sertão, com agenda cheia até sábado.
A cúpula do PT pernambucano, incluindo a senadora Teresa Leitão e o presidente estadual da sigla, Carlos Veras, teve o privilégio de descobrir o lançamento da chapa pela imprensa
Como resumiu um parlamentar, seria a primeira vez na história que uma chapa seria anunciada sem a presença física de um dos seus próprios candidatos
Agora, o que era pressa virou incerteza. O evento foi empurrado para a próxima semana , isso, claro, se nenhuma nova surpresa brotar no jardim das vaidades políticas. O PT, por sua vez, tratou de baixar a temperatura, lembrando que ainda está “ouvindo as bases” e que sua tática eleitoral só deve ser anunciada lá para o dia 28. Fica o aprendizado para o prefeito: na política, o tempo de quem tem pressa raramente é o mesmo tempo de quem detém a máquina partidária. Por ora, o lançamento da chapa segue na geladeira, sem data definida e com o gosto amargo de uma bola fora monumental.



