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Quando as pesquisas contam histórias

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Elton Duarte Batalha, professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Advogado. Doutor em Direito pela USP. Pesquisador do GETRAB-USP.

As pesquisas para o Governo do Estado do Paraná têm demonstrado ampla vantagem para o senador Sergio Moro (PL), não raramente aparecendo com o dobro de intenções de voto do segundo lugar para o primeiro turno e com vantagem confortável em caso de eventual segundo turno, fato que permite algumas reflexões sobre certas ocorrências dos últimos anos na vida política nacional.

Como é de conhecimento da população brasileira, Moro tornou-se famoso na condição de juiz federal durante o julgamento de figuras políticas e empresariais relevantes, no bojo da Operação Lava Jato, colocando na cadeia pessoas ricas e influentes, cenário anteriormente inimaginável no país.

Após determinado momento, houve o desmonte da referida estrutura de investigação e anulação do respectivo processo judicial sob a alegação de supostas irregularidades que contariam, segundo essa tese, com a participação do então juiz.
Em 2019, assumiu o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Jair Bolsonaro, depois de ter abandonado a magistratura. Saiu do Ministério mencionado em 2020, após um período de tensão com o Chefe do Executivo, e retornou à vida pública com a eleição ao Senado Federal pelo referido estado sulista no pleito de 2022.

Sendo uma figura que produz manifestações de amor e ódio em uma população extremamente polarizada ideologicamente, o senador Moro lançou seu nome ao Governo do Paraná depois da relatada oscilação na vida política.

A expressiva aprovação pública atual parece demonstrar algo que não pode deixar de ser notado: a versão adotada por grande parte da imprensa de que Moro teria exacerbado os limites de sua função como magistrado não convenceu relevante parcela do povo paranaense. Seria essa eleição uma resposta da população à teoria que vilanizou o então juiz, demonstrando crer que ele fez um grande trabalho na magistratura e foi vencido pelo sistema organizado de forças políticas? Ou será que a sociedade, como regra geral, não tem parâmetros éticos e não se importa com a condenação de alguém que se diz inocente e perseguido politicamente (como era a versão de Lula), votando em Moro com base na maquiavélica lógica de que os fins justificam os meios?
Se a primeira hipótese for verdadeira, é possível supor uma perda relevante de credibilidade entre a população de instituições como a imprensa e a parte do Judiciário (o STF, em especial) que condenaram o trabalho do juiz Moro; caso a segunda hipótese seja verídica, a consequência para a democracia é ainda mais nefasta, pois o desvio moral estaria no cerne da constituição comunitária nacional.
De qualquer modo, o mais importante é notar que a expressiva intenção de votos de Moro para o governo paranaense permite vislumbrar que, em algum momento, ele possa candidatar-se ao cargo máximo do Executivo Federal, atualmente ocupado por Lula, uma das figuras que o atual senador condenou à prisão no âmbito da Operação Lava Jato, como dito. Além de ser uma grande reviravolta na vida de alguém que foi acusado de cometer irregularidades na condição de juiz, essa popularidade passa uma mensagem preocupante a respeito da credibilidade da versão criada por parcela da imprensa acerca dos fatos políticos relatados.
Será que os órgãos de mídia se equivocaram majoritariamente na análise da conduta de Moro ou a população é tão flexível moralmente a ponto de desconsiderar eventuais desvios de comportamento na condução do processo? Considerando-se que não houve nenhuma condenação do atual Senador por sua conduta profissional na época em que atuava como juiz, a primeira hipótese, prejudicial à imagem dos comentaristas políticos, ganha força junto à população.
A figura política de Sergio Moro, enfim, parece recuperar-se, após sofrer alguns abalos pelas duras críticas que lhe foram direcionadas publicamente. A História é escrita pelos vencedores, como ressalta conhecido ditado político. Nesse caso, quando o jornalismo relata os fatos atualmente vivenciados, qual história é contada pelas pesquisas? O atual senador está sendo inocentado das acusações de irregularidades supostamente praticadas na condição de juiz? Ou os comentaristas políticos estão tendo a credibilidade arranhada com esta demonstração de força e ressurgimento por parte de Moro? Às vezes, as perguntas são mais importantes que as respostas. O restante, é melhor deixar que o tempo depure.

*O conteúdo dos artigos assinados não representa necessariamente a opinião do Mackenzie.
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