Executivo com quase cinco décadas de atuação no Brasil e no exterior encaminhou à direção nacional do PSDB um plano de governo e colocou seu nome à disposição do partido para disputar a Presidência da República
Mário Oliveira Filho aguarda uma manifestação da direção nacional do PSDB após encaminhar ao presidente nacional do partido, deputado federal Aécio Neves, à Comissão Executiva Nacional e às principais lideranças tucanas uma carta colocando seu nome à disposição para disputar a Presidência da República, acompanhada do Plano Brasil Real II. O documento reúne propostas para reorganização do Estado, política fiscal, infraestrutura, educação, inovação, inteligência artificial, comércio exterior, transição energética e produtividade, além de metas como crescimento econômico superior a 5% ao ano, investimentos acima de 25% do PIB e redução da carga tributária de 33% para 26%.
Os documentos foram enviados individualmente na última semana, enquanto o PSDB realiza o processo interno de definição de seus candidatos para as eleições de 2026. As convenções partidárias seguem até 5 de agosto, e o prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina às 19h de 15 de agosto.
A iniciativa ocorre em um momento de reflexão sobre os rumos políticos e econômicos do Brasil e sobre o papel das forças políticas na construção de um projeto nacional capaz de responder aos desafios das próximas décadas. Na avaliação de Mário Oliveira Filho, a definição de candidaturas deve ser precedida pela discussão de propostas concretas para o desenvolvimento do país.
Segundo ele, o debate político brasileiro vem sendo frequentemente apresentado como uma disputa permanente entre polos opostos. Em sua visão, entretanto, pesquisas de opinião têm demonstrado a existência de um amplo contingente de eleitores que ainda não se identifica plenamente com nenhuma das principais correntes políticas e permanece aberto a novas alternativas. Para ele, esse cenário cria espaço para que o PSDB reassuma sua tradição de centro democrático e apresente ao país uma agenda baseada na conciliação nacional, na prosperidade econômica, na segurança pública e no fortalecimento das instituições.
Para Oliveira Filho, esse cenário cria uma oportunidade para que o PSDB volte a exercer o papel de articulador de consensos em torno de um projeto de país, assim como ocorreu com o Plano Real. Foi essa convicção, aliada à elaboração do Plano Brasil Real II e à sua experiência em gestão pública e privada, que o levou a colocar seu nome à disposição do partido para disputar a Presidência da República.
“O Brasil precisa voltar a discutir prosperidade, segurança e desenvolvimento. Grandes nações avançam quando conseguem construir consensos em torno do futuro, e não quando permanecem presas ao conflito político“, afirma Mário Oliveira Filho.
Da recuperação de empresas à execução de grandes projetos
Ao longo de quase cinco décadas, Mário Oliveira Filho atuou no setor público, em grupos privados nacionais e em multinacionais europeias ligadas aos grupos SUEZ e ENGIE. Na Degremont Brasil, assumiu o comando da operação e reverteu, em seis meses, um histórico de prejuízos recorrentes.
Sua trajetória reúne participação em projetos e contratos bilionários nos setores de saneamento, energia, petróleo, portos, siderurgia e plataformas offshore. Trabalhou na Petrobras, no Metrô de São Paulo e no Grupo Odebrecht, além de conduzir projetos e negociações no Reino Unido, no Leste Europeu, na antiga União Soviética, na África, nos Estados Unidos e na América Latina.
No Brasil, participou da estruturação da primeira parceria público-privada de saneamento do país, em Rio Claro, financiada pelo BNDES. Também integrou comitês responsáveis por avaliar a viabilidade, reprificar e decidir sobre a continuidade de grandes projetos de investimento diante de riscos econômicos e institucionais.
A experiência internacional permitiu acompanhar diferentes modelos de desenvolvimento econômico, financiamento de infraestrutura, planejamento estatal e atração de investimentos, temas que serviram de base para a elaboração do Plano Brasil Real II.
Em 2006, publicou o livro Brasil: o Entulho Oculto dos Privilégios Oligárquicos, no qual analisou entraves institucionais que, segundo ele, continuam presentes na paralisação de obras, na insegurança jurídica e na baixa previsibilidade do ambiente de negócios brasileiro.
“Ao longo de quase cinco décadas trabalhando no Brasil e no exterior, acompanhei países que prosperaram porque fizeram escolhas estratégicas e outros que permaneceram estagnados por não conseguirem transformar planejamento em execução. O Brasil tem todas as condições para avançar, desde que combine investimento, produtividade, segurança jurídica e capacidade de execução. Foi essa experiência que procurei reunir no Plano Brasil Real II”, afirma Mário.
Principais propostas do Plano Brasil Real II
O documento sustenta que o Brasil dispõe de recursos naturais, capacidade produtiva, mercado consumidor e potencial energético suficientes para sustentar um ciclo duradouro de crescimento, mas enfrenta limitações associadas à baixa produtividade, à burocracia excessiva, à insegurança jurídica e à dificuldade de execução de projetos estratégicos. Como resposta, propõe medidas voltadas à modernização institucional e à aceleração do desenvolvimento econômico.
Entre as principais propostas apresentadas estão:
- Crescimento econômico superior a 5% ao ano para dobrar a renda média da população.
- Ampliação dos investimentos públicos e privados para mais de 25% do PIB;
- Redução gradual da carga tributária dos atuais 33% para 26%;
- Reorganização administrativa do Estado com foco em eficiência e disciplina fiscal;
- Educação em Tempo Integral até os 18 anos, com foco em matemática, português e ciências da computação
- Utilização de inteligência artificial para modernização da gestão pública;
- Redução de atrasos e paralisações em projetos estratégicos de infraestrutura;
- Criação de um fundo soberano voltado ao financiamento de investimentos de longo prazo e ao fortalecimento da sustentabilidade fiscal futura.
Segundo Mário Oliveira Filho, o plano começou a ser elaborado antes do atual processo de definição das candidaturas presidenciais e representa uma contribuição ao debate sobre o futuro do Brasil.
“O Plano Real respondeu ao principal desafio econômico do Brasil nos anos 1990. Hoje, o desafio é transformar estabilidade em desenvolvimento. Foi para contribuir com esse debate que elaborei o Plano Brasil Real II”, afirma.
Nome à disposição do PSDB
O envio da carta ocorre enquanto o PSDB discute a definição de sua candidatura à Presidência da República. A Federação PSDB-Cidadania já manifestou apoio à pré-candidatura de Aécio Neves, mas a escolha do candidato dependerá das deliberações das instâncias partidárias durante o período das convenções.
Mário afirma respeitar o processo interno do partido e diz que o objetivo da iniciativa é apresentar o Plano Brasil Real II à direção nacional antes da decisão sobre a candidatura presidencial.
“Respeito integralmente a autonomia do partido e as decisões que serão tomadas durante as convenções. Minha expectativa é apenas que o Plano Brasil Real II seja conhecido e debatido antes dessa definição. Se o PSDB entender que esse projeto pode contribuir para o país, meu nome permanece à disposição“, afirma Mário.



