O candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos, ganhou um reforço de peso para sua campanha: o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, nos bastidores, o desafio agora é fazer esse apoio ser percebido pelo eleitor como um diferencial capaz de separar definitivamente o projeto do socialista do da governadora Raquel Lyra (PSD).
Segundo relatos atribuídos a aliados de João Campos, uma das dificuldades encontradas pela campanha é justamente convencer parte do eleitorado de que, embora Lula tenha declarado apoio ao candidato do PSB, a relação política e institucional construída entre o presidente e Raquel Lyra ao longo dos últimos anos continua sendo lembrada pelos pernambucanos.
A situação ganhou ainda mais complexidade porque Raquel nunca rompeu a relação com o governo federal. Mesmo após Lula declarar apoio a João Campos, a governadora afirmou que a parceria institucional entre Pernambuco e o governo federal continuaria mantida.
E tem mais: em agosto, Raquel sinalizou em entrevista à CNN que mantém uma relação de proximidade política com Lula, embora não tenha confirmado apoio formal à candidatura do presidente.
É aí que aparece a dor de cabeça de João Campos.
A estratégia do socialista passa pela associação direta com Lula. O presidente, inclusive, já gravou vídeo pedindo votos para João Campos e outros candidatos da Frente Popular, reforçando publicamente seu apoio ao candidato do PSB.
Só que, para alguns aliados, o problema está justamente em transformar esse apoio presidencial em uma percepção clara de exclusividade junto ao eleitor. Afinal, Raquel Lyra construiu uma relação institucional próxima com Lula durante seu mandato, participou de agendas com o presidente e manteve diálogo com o governo federal.
No popular, a conversa pode acabar sendo resumida assim: João Campos tem o apoio de Lula, mas Raquel também tem uma história de relação com Lula.
Enquanto isso, Raquel segue explorando uma narrativa própria: a de que sua relação com o presidente Lula não começou agora e que, independentemente da disputa eleitoral, Pernambuco continuará mantendo uma relação institucional com o governo federal.
No fim das contas, a pergunta que fica nos bastidores é provocativa: será que João Campos conseguirá convencer o eleitor de que Lula é exclusivamente dele, quando Raquel Lyra também construiu uma relação política e administrativa com o presidente?
E tem gente dizendo que, nos “frigir dos ovos”, Lula pode até estar no palanque de João, mas politicamente Raquel ainda sabe muito bem como conversar com o presidente.




