A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na convenção que oficializou a candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, contrastou com sua ausência na convenção do prefeito do Recife, João Campos (PSB), em Pernambuco. O gesto político evidencia cenários distintos nos dois estados e reforça estratégias diferentes adotadas pelo Palácio do Planalto.
Na Bahia, Lula fez questão de subir ao palanque de Jerônimo Rodrigues, que enfrenta uma disputa direta contra o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), principal nome da oposição ao governo petista no estado. Durante a convenção, realizada no último sábado (1º), em Salvador, o presidente pediu apoio para Jerônimo e para os candidatos da base aliada, demonstrando total envolvimento na campanha baiana.
Já em Pernambuco, o cenário é mais delicado. Apesar de João Campos ser um dos principais aliados nacionais do presidente e candidato ao Governo do Estado pelo PSB, Lula tem evitado participar de atos que possam ser interpretados como um enfrentamento direto à governadora Raquel Lyra (PSD), que disputa a reeleição.
Nos bastidores, a avaliação é que o presidente busca preservar a boa relação institucional construída com Raquel Lyra ao longo do mandato. Além disso, Lula também conta com o apoio de lideranças políticas e prefeitos que hoje estão tanto no palanque da governadora quanto no grupo de João Campos, o que torna qualquer demonstração explícita de preferência um movimento politicamente sensível.
A diferença de postura entre Bahia e Pernambuco chama atenção. Enquanto na Bahia Lula entrou de vez na campanha para fortalecer Jerônimo Rodrigues diante de uma oposição consolidada, em Pernambuco o presidente tem adotado uma estratégia de equilíbrio, evitando ampliar a polarização entre dois grupos políticos com os quais mantém interlocução.
A tendência é que, pelo menos até o início oficial da campanha eleitoral, Lula continue administrando esse delicado equilíbrio em Pernambuco, preservando pontes com Raquel Lyra sem deixar de manter João Campos como um de seus principais aliados no Nordeste. Esse comportamento contrasta com a atuação na Bahia, onde o presidente assumiu protagonismo na defesa da reeleição de Jerônimo Rodrigues.
Psol-Rede oficializa Ivan Moraes ao Governo de Pernambuco
A Federação Psol-Rede oficializou, neste domingo (2), a chapa para as eleições de 2026 em Pernambuco. Ivan Moraes será candidato ao Governo do Estado, Alice Galbino disputará a vice-governadoria e Paulo Rubem Santiago concorrerá ao Senado. Durante a convenção, Ivan afirmou que sua candidatura representa uma alternativa aos grupos políticos tradicionais, defendendo uma “verdadeira terceira via” para Pernambuco.
Nem Miguel Coelho nem Fernando Dueire participaram da convenção de Raquel Lyra
As ausências do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), e do senador Fernando Dueire (MDB) chamaram a atenção na convenção que oficializou a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD).
O detalhe ganhou ainda mais peso porque ambos eram cotados para integrar a chapa majoritária na disputa ao Senado, mas acabaram ficando fora da composição anunciada pela governadora. A decisão provocou repercussão nos bastidores e tornou a ausência dos dois um dos assuntos mais comentados entre lideranças políticas presentes ao evento.
Embora não haja confirmação de que as ausências estejam relacionadas à definição da chapa, o fato é que Miguel Coelho e Fernando Dueire não participaram do ato político que marcou o início oficial da caminhada de Raquel Lyra rumo à reeleição. Até o momento, nenhum dos dois se manifestou publicamente sobre os motivos de não comparecerem ao evento.
Perguntar não ofende
Será que os apoiadores de Raquel Lyra engoliram o nome de Eduardo da Fonte em vez do de Miguel Coelho para o Senado?



