Saúde aparece pouco nas telas dos pré-candidatos à presidência. Entre janeiro e julho de 2026, os principais nomes que disputam o Palácio do Planalto publicaram 653 posts sobre o tema em suas redes sociais – o que representa apenas 4,3% do volume total de conteúdo produzido por eles no período. O número coloca a saúde na sétima posição entre os assuntos mais abordados, longe do centro das disputas narrativas que dominam o ambiente digital da pré-campanha.
Os dados foram levantados pela Agência Bites e apresentados durante encontro do Think Tank da Saúde Arca, que reúne alguns dos principais representantes da área de saúde de São Paulo. O levantamento mostra que o tema não encontrou espaço como bandeira de confronto ou mobilização entre os pré-candidatos. A média de 26,4 mil interações por post sobre saúde até indica que o assunto tem apelo quando aparece, mas a frequência com que é acionado sugere que nenhum dos competidores apostou nele como eixo central de sua comunicação.
O presidente Lula destina 13% de seu conteúdo ao tema, a maior fatia entre todos os analisados. O uso, porém, segue uma lógica específica: saúde aparece como vitrine de entregas de governo, não como campo de polarização.
Entre os demais pré-candidatos, o cenário é de ausência ou presença mínima. Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Renan Santos e Cabo Daciolo nem sequer colocam saúde entre os dez temas mais frequentes em seus feeds. Ronaldo Caiado reserva ao assunto 4% do conteúdo publicado, ocupando a oitava posição em seu ranking temático.
Já Augusto Cury destoa levemente do grupo ao dedicar quase 10% de seu feed ao tema, mas o recorte é particular: o conteúdo orbita em torno de saúde mental e autoajuda, universo que dialoga diretamente com o perfil de sua audiência.
“Esses dados nos preocupam como gestores de saúde. Estamos acompanhando cada proposta com lupa e cobrando compromisso com esse setor que é fundamental para o avanço do nosso país”, afirma Francisco Balestrin, médico e presidente do Think Tank da Saúde Arca.
O quadro geral aponta para uma campanha digital em que a saúde ocupa as margens, não o centro. O tema existe, mas não virou prioridade para quem quer chegar ao Planalto em 2026.



