Em política, às vezes, o que não aparece diz mais do que aquilo que está estampado nos palanques.
E uma pergunta começa a circular nos bastidores da política pernambucana: cadê Paulo Câmara e Geraldo Júlio na campanha de João Campos?
Não estamos falando de dois personagens qualquer. Paulo Câmara foi governador de Pernambuco por dois mandatos e chegou ao cargo com 68% dos votos em 2014, sendo reeleito em 2018. Geraldo Júlio, por sua vez, comandou a Prefeitura do Recife por oito anos e foi justamente uma das peças importantes na construção da sucessão que levou João Campos à Prefeitura em 2020.
Ou seja: são dois nomes que carregam a marca do PSB, a história recente do grupo e, principalmente, fazem parte da memória política que ajudou a colocar João Campos no caminho que percorreu até chegar à disputa pelo Governo de Pernambuco.
Mas, na campanha de 2026, a pergunta continua no ar: por que eles não estão mais presentes na vitrine?
Será estratégia?
Será escolha do próprio João?
Será que a campanha decidiu apostar em uma imagem mais “João Campos”, com Lula, sua própria gestão no Recife e a herança política de Eduardo Campos como principais marcas?
Ou existe algum cálculo político por trás dessa distância?
É aí que mora o “cabuloso” da história.
Não se está dizendo que Paulo Câmara ou Geraldo Júlio estejam contra João Campos. Muito menos que exista uma ruptura. Nada disso está confirmado. O que existe é uma ausência que chama atenção, especialmente porque a eleição está longe de ser uma caminhada tranquila para o candidato do PSB.
E os números ajudam a entender por que qualquer movimento é observado com lupa.
A Quaest divulgada nesta semana colocou Raquel Lyra com 43% e João Campos com 37% no primeiro turno, além de apontar rejeição de 40% para João contra 34% para Raquel. Antes disso, a RealTime Big Data havia registrado empate de 43% entre os dois.
Ou seja: não existe espaço para erro de cálculo.
Talvez a campanha de João esteja tentando apresentar um projeto mais novo, mais conectado ao presente e menos dependente das figuras que comandaram Pernambuco e Recife em outros momentos.
Só que existe um detalhe: quando se tenta esconder o passado, o passado costuma aparecer justamente pela ausência.
Paulo Câmara representa uma parcela importante da história recente do PSB pernambucano. Geraldo Júlio representa a administração do Recife que antecedeu João e foi fundamental para sua chegada à Prefeitura.
Então fica a pergunta que não quer calar:
Se Paulo Câmara e Geraldo Júlio são aliados históricos, por que não estão mais próximos do candidato do PSB justamente na eleição mais importante da carreira de João Campos?
Seria apenas estratégia de campanha?
Ou nos bastidores existe alguma leitura política que o eleitor ainda não conhece?
Perguntar não ofende
Quando Paulo Câmara e Geraldo Julio vão sair da toca e mostrar a cara na campanha de João Campos?




