Quem acompanha os bastidores da política juazeirense sabe que seria ingenuidade olhar para 2026 apenas como uma disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa, Câmara Federal, governo estadual, presidente e senado. Por trás dos pedidos de votos, das caminhadas, das reuniões e dos abraços, existe uma disputa maior: quem chegará mais forte para 2028?
De um lado, o prefeito Andrei Gonçalves, sentado na cadeira de prefeito e com a máquina administrativa à disposição, joga peso para fortalecer seus candidatos. Na Assembleia, estão no jogo nomes como Zó e Roberto Carlos, que buscam a reeleição, além de Juvenilson Passos.
Não se trata apenas de eleger deputado. Para o grupo governista, cada voto pode virar uma demonstração de força política.
Do outro lado, Suzana Ramos não parece ter aceitado o papel de quem simplesmente perdeu uma eleição e foi para casa.
Desde a derrota para Andrei em 2024, Suzana continua no meio político e, principalmente, no meio do povo. Agora, coloca sua força em campo para tentar reeleger o filho, Jordávio Ramos, deputado estadual, além de trabalhar pela reeleição de Adolfo Viana para deputado federal.
E tem mais.
Suzana também está pedindo votos para João Roma, candidato ao Senado e seu companheiro de chapa, já que ela é primeira suplente.
Traduzindo para o bom e velho políticaês: Suzana está colocando seu grupo para andar e, junto com os votos, está medindo a temperatura da sua própria força eleitoral.
Se seus candidatos tiverem uma votação expressiva em Juazeiro, Suzana ganha musculatura para 2028. E política, como sabemos, adora transformar número de urna em argumento para sentar à mesa.
Mas se o desempenho ficar aquém do esperado, os adversários certamente não perderão tempo em fazer a leitura: “a força de Suzana não é mais a mesma”.
E Andrei?
O prefeito também está diante de uma prova de fogo.
Se conseguir entregar uma votação robusta para seus candidatos, poderá sair de 2026 com o discurso de que a máquina, o grupo e a liderança política continuam funcionando.
Agora imagine o cenário: candidatos apoiados pelo prefeito crescendo de um lado e candidatos apoiados por Suzana crescendo do outro.
Aí está o detalhe que faz 2026 ficar com cheiro de 2028.
Porque, nos bastidores, não se mede apenas quem será eleito. Mede-se quem terá mais votos, quem terá mais lideranças, quem conseguirá reunir mais gente e quem chegará ao próximo ciclo eleitoral com mais autoridade para dizer: “eu tenho voto”.
E existe ainda uma divisão política maior.
Andrei está no campo do governador Jerônimo Rodrigues. Suzana está no palanque de ACM Neto.
Ou seja, Juazeiro pode acabar sendo também um importante termômetro da disputa entre dois projetos políticos que já começam a se movimentar pensando no futuro.
Por enquanto, ninguém precisa sair anunciando candidatura para 2028. Seria precipitado.
Mas também seria ingenuidade acreditar que os grupos não estão fazendo contas.
Cada deputado eleito, cada votação expressiva, cada liderança conquistada e cada derrota inesperada em 2026 vai entrar na conta de 2028.
E aqui mora a pergunta que circula nos bastidores:
Quem sairá de 2026 maior: Andrei ou Suzana?
Se Andrei fizer seus candidatos crescerem, terá combustível para seguir comandando o jogo.
Se Suzana conseguir uma votação forte para Jordávio, Adolfo e João Roma, poderá mostrar que continua viva, competitiva e com capacidade de mobilização.
Agora, se um lado comemorar demais e o outro tiver uma votação surpreendente, pode começar aquela velha dança das cadeiras: liderança procurando liderança, telefone tocando, convite surgindo e político jurando que “não tem nada definido”.
Mas todo mundo sabe que tem.
Juazeiro 2028 ainda está longe. Mas o tabuleiro já está sendo montado.
E 2026 pode ser justamente a eleição que vai dizer quem terá as melhores cartas na mão.
Perguntar não ofende.
será que Andrei e Suzana estão disputando apenas 2026 ou já estão, cada um do seu lado, ensaiando o primeiro round de 2028?
A urna, desta vez, pode falar muito mais do que parece.




