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Como superar a nota 900 na redação do ENEM?

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Professor do Estratégia Vestibulares detalha como transformar um bom texto em uma redação de alto desempenho na reta final de preparação

Na reta final de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), muitos estudantes sentem a pressão do tempo. Eles dominam a estrutura dissertativo-argumentativa, escrevem textos coesos, mas a nota ainda se fixa em uma faixa que não garante a aprovação desejada. A redação, que pode ser uma ferramenta de destaque na disputa por vagas, torna-se um obstáculo. A pergunta que surge é: como sair do básico e alcançar uma pontuação superior a 900 pontos?

Para Fernando Andrade, professor de redação do Estratégia Vestibulares, curso online preparatório para provas de alta complexidade, a resposta está no detalhe. “Sim, é possível, ainda mais no ENEM, cuja grade é composta por itens independentes. Para tanto, é necessário determinação e compromisso com o trabalho de escrita. O aluno deve escrever pelo menos uma vez por semana. Além disso, deve focar em seus pontos fracos e ser realista em relação a quais competências podem ser melhoradas em pouco tempo”, analisa.

Alcançar um texto de alto desempenho exige mais do que seguir uma fórmula. É preciso aprofundar a argumentação, demonstrar domínio sobre o tema e atender com precisão aos critérios de avaliação da banca. A seguir, o professor apresenta um guia com orientações que podem ser aplicadas de forma imediata nos estudos para elevar a qualidade do texto.

O que separa a nota 900 de um texto nota 1000?

A principal diferença está no que Fernando Andrade chama de “traço autoral”. “Um texto nota 900 atende às exigências de forma correta, mas muitas vezes burocrática. Ele apresenta repertórios bem encaixados, coerência e fluidez. Já as redações que alcançam a nota máxima demonstram que o candidato tem um conhecimento profundo sobre o tema”, explica o professor.

Um exemplo prático vem da edição passada do ENEM. Enquanto muitos textos repetiram o termo “tradição africana”, os que alcançaram a nota 1000 detalharam o que essa tradição significa, mencionando elementos como a culinária, a religião e a música. Essa especificação demonstra uma visão única e aprofundada, fator que diferencia o texto.

O sistema de correção do ENEM avalia o texto em cinco competências independentes. Para compreender melhor essa lógica, o professor dá dicas para cada um dos tópicos.

  • Competência 1 (Norma Padrão): O caminho é a autoanálise. O estudante deve identificar seus erros gramaticais recorrentes e trabalhar para corrigi-los.
  • Competência 2 (Repertório): O uso de citações, filmes e séries é válido. O ponto de atenção é a capacidade de conectar o repertório ao tema de forma clara. Sem essa ponte, a pontuação pode não atingir o máximo.
  • Competência 3 (Argumentação): Esta é a competência que avalia a qualidade da argumentação e o traço autoral. Exige mais preparo e, por isso, o aluno não deve se frustrar se não alcançar a nota máxima aqui. O foco deve ser em construir um argumento sólido e bem fundamentado.
  • Competência 4 (Coesão): O uso de conectivos pode ser treinado. Os conectivos de início de parágrafo (“Em primeiro lugar”, “Além disso”) podem ser memorizados. A coesão interna do parágrafo utiliza elementos que já fazem parte da fala cotidiana.
  • Competência 5 (Proposta de Intervenção): É uma das mais técnicas. Exige a apresentação de cinco elementos: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento. Se todos estiverem presentes, a nota máxima na competência é atribuída.

Como enriquecer o texto e refinar a prática

Para inserir referências sem parecer algo forçado, a solução é construir um acervo pessoal. O professor sugere a criação de um caderno de anotações. “Ao estudar História, Sociologia ou Filosofia, o aluno pode registrar fatos e citações e associá-los a grandes eixos temáticos (meio ambiente, saúde, tecnologia). Por exemplo, ao estudar a abolição da escravatura, pode-se registrar a ausência de indenização aos ex-escravizados prevista na Lei Áurea como um repertório para discutir desigualdade social”, explica Andrade.

O uso de repertórios prontos também é uma possibilidade, desde que o ajuste seja bem feito. Se um filósofo da política é citado para criticar a atuação do Estado em um tema específico, como a valorização da cultura indígena, os termos “Estado” e “cultura indígena” devem aparecer de modo orgânico no argumento, construindo uma ponte entre a ideia geral do pensador e o problema particular da proposta.

Sobre a frequência, uma redação por semana é suficiente para quem já tem um domínio mediano do texto. “Para quem está com nota abaixo de 700, a recomendação é escrever pelo menos duas vezes na semana, sendo um resumo e uma dissertação”, revela o professor do Estratégia Vestibulares. Já em relação a preparação para temas inesperados, o mais importante é entender o padrão do INEP. “A banca sempre apresenta uma situação-problema, um direito negado a um grupo social. Estudar os eixos temáticos gerais é a forma mais segura de estar pronto para qualquer proposta”, conclui.

 

Sobre o Estratégia
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