Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Partido dos Trabalhadores em Petrolina ganha novo fôlego para discutir seus espaços políticos e administrativos. Nos bastidores, dois nomes aparecem no centro das especulações: o vereador Gilmar Santos e a ex-vereadora Cristina Costa, ambos com atuação política consolidada no município.
Na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Gilmar Santos obteve 15.531 votos em Petrolina e 20.120 votos no total do estado. Já Cristina Costa conquistou 4.446 votos no município e 5.410 votos em Pernambuco. Embora não tenham sido eleitos, os dois seguem no jogo político e podem buscar novos espaços a partir da articulação partidária.
Os dois nomes contam com o respaldo de lideranças importantes do PT, como os senadores Humberto Costa e Tereza Leitão, além da força política de Marília Arraes, eleita senadora. Gilmar também sai fortalecido com a eleição de Rosa Amorim para a Câmara dos Deputados. Cristina, por sua vez, fez dobradinha política com Liana Cirne, também eleita deputada federal. Outro nome que transita nesse cenário é o deputado federal Carlos Veras, reeleito pelo PT e ligado aos grupos políticos de ambos.
É nesse cenário que a 3ª Superintendência Regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), sediada em Petrolina, começa a despertar interesse nos bastidores políticos. A especulação é de que Gilmar Santos ou Cristina Costa possa entrar na lista de possíveis indicações do PT pernambucano para assumir o comando da unidade regional.
A hipótese envolvendo Gilmar tem um ingrediente a mais: caso ele deixe a Câmara Municipal para assumir uma função na 3ª Superintendência Regional da Codevasf, Cristina Costa, sua suplente, poderá ocupar a vaga no Legislativo municipal, garantindo a continuidade da representação petista na Casa Plínio Amorim, conforme as regras de substituição aplicáveis.
Mas chegar ao comando da unidade regional não é tarefa simples. O governo Lula precisa lidar com uma correlação de forças delicada no Congresso Nacional, onde não conta com maioria própria consolidada. Nesse cenário, partidos do Centrão e outras legendas podem entrar nas negociações por espaços no governo federal, incluindo ministérios, órgãos e cargos estratégicos.
E a 3ª Superintendência Regional da Codevasf está longe de ser um espaço administrativo qualquer. Em Petrolina, a unidade é considerada estratégica pelo volume de investimentos e pela influência sobre ações de infraestrutura, irrigação e desenvolvimento regional. Não por acaso, o comando do órgão é visto nos bastidores como um espaço de grande peso político, chegando a ser comparado a uma espécie de “segunda prefeitura”.
A pergunta que fica é: até onde a força política de Gilmar Santos e Cristina Costa poderá influenciar essa decisão? O PT de Pernambuco terá espaço para emplacar um nome de Petrolina ou a disputa nacional por cargos falará mais alto? Por enquanto, tudo permanece no campo das especulações. Mas, em política, quando a 3ª Superintendência Regional da Codevasf entra na conversa, dificilmente os bastidores ficam tranquilos por muito tempo.
Ato vergonhoso
O presidente Lula classificou como “ato vergonhoso” a suposta saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, após a derrota nas eleições presidenciais. Segundo Lula, o senador deveria ter entregue o passaporte e prestado esclarecimentos à Justiça.
A possível viagem foi divulgada nas redes sociais e noticiada pela Reuters. Flávio é investigado em inquéritos relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas on-line e ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai. As investigações não representam, por si só, comprovação de culpa.
Perguntar não ofende
Quem manda de fato no PT de Pernambuco é o senador Humberto Costa. Inclusive, o superintendente da 3ª Superintendência Regional da Codevasf, Edilázio Wanderley, sediada em Petrolina, é apontado como indicação do senador. Será que Humberto vai abrir espaço para Tereza Leitão, Marília Arraes, Rosa Amorim, Carlos Veras e Liana Cirne articularem a indicação de Cristina Costa ou Gilmar Santos para o comando do órgão?





