Nas eleições de 2022, quando foi eleita governadora de Pernambuco, Raquel Lyra adotou uma postura de neutralidade, sem declarar apoio a nenhum candidato à Presidência da República, nem Lula nem Bolsonaro.
Agora, nas eleições de 2026, mesmo após a derrota de João Campos, candidato do PSB, Raquel mantém a mesma postura de quatro anos atrás: não vai subir no palanque de nenhum dos candidatos que disputam o segundo turno, nem Lula nem Flávio Bolsonaro.
A postura de Raquel é de coerência com o eleitor pernambucano. Tentaram associá-la ao bolsonarismo; outros quiseram vinculá-la ao lulismo. No entanto, a governadora manteve sua independência política em 2022 e segue pelo mesmo caminho em 2026.
Mas há quem diga que essa neutralidade já tem os olhos voltados para 2030, quando Raquel poderá, eventualmente, entrar na disputa pela Presidência da República. E por que não?
Se subir no palanque de Lula e o petista vencer, Raquel poderá perder espaço político no cenário nacional. Afinal, qual seria seu discurso em 2030 diante de um presidente que ajudou a eleger? Como se posicionaria em uma eventual disputa contra Lula?
Por outro lado, se apoiar Flávio Bolsonaro e ele sair vitorioso, a governadora também poderá enfrentar dificuldades para construir um discurso independente em uma futura disputa presidencial.
Enfim, Raquel é inteligente, experiente e sabe fazer política. Portanto, vai continuar na dela, sem se comprometer com nenhum dos lados. Em 2030, caso uma candidatura presidencial se concretize, não lhe faltarão argumentos para defender seu projeto político, seja contra Lula, seja contra Flávio Bolsonaro.
Mas uma coisa é certa: tudo dependerá dos próximos quatro anos à frente do Governo de Pernambuco.
A primeira gestão, que se encerra em 31 de dezembro, deixa um legado que seus aliados consideram positivo e que poderá servir de vitrine para o Brasil. A partir do próximo ano, Raquel terá mais quatro anos para dar continuidade ao trabalho, ampliar as entregas e mostrar sua capacidade administrativa.
Se conseguir transformar o segundo mandato em uma grande demonstração de resultados, Pernambuco poderá se tornar o principal cartão de visitas da governadora para 2030.
Raquel sabe que, na política, o futuro não se constrói apenas com alianças eleitorais, mas também com resultados. E é justamente no governo que ela terá a oportunidade de preparar o terreno para voos mais altos.





