A pesquisa divulgada nesta terça-feira (23) pelo Instituto Real Time Big Data, encomendada pela CNN, caiu como combustível no debate político de Pernambuco. O levantamento aponta o prefeito do Recife, João Campos (PSB), com 59% das intenções de voto para o Governo do Estado em 2026, contra 24% da governadora Raquel Lyra (PSD).
O número parece imponente, mas, nos bastidores, a leitura é outra: Campos já chega ao teto, inflado pela máquina da Prefeitura do Recife, pelo sobrenome e pela exposição constante na mídia. Raquel, por outro lado, aparece com quase um quarto do eleitorado, mesmo em meio a um mandato de enfrentamento a crises e dívidas herdadas do PSB. Ou seja, enquanto o socialista vive o auge, a governadora ainda tem terreno fértil para crescer.
Em um cenário reduzido, João Campos aparece com 63% e Raquel Lyra com 27%. Aqui, a realidade fica mais clara: sem a dispersão de outros candidatos, a governadora dobra sua força e mostra que pode polarizar diretamente com Campos.
O que parece vitória antecipada para João pode se transformar em dor de cabeça nos próximos dois anos. Pesquisas nesse estágio refletem popularidade momentânea, não garantia de votos no dia da eleição. E se tem alguém que conhece bem o peso de uma eleição estadual, é Raquel Lyra. Diferente de João, que nunca enfrentou o interior de verdade, a governadora está percorrendo todas as regiões, entregando obras e reforçando sua imagem de gestora que não foge de problemas.
Em resumo: João Campos pode até liderar as pesquisas, mas quem governa o Estado e tem capital político para virar o jogo é Raquel Lyra. O favoritismo precoce do prefeito pode ser o seu maior inimigo, enquanto a governadora cresce em silêncio e com trabalho de base.



