Na política pernambucana, tem gente que ainda insiste em vender a ideia de que já houve rompimento, distanciamento ou até rivalidade entre João Campos e sua prima Marília Arraes. Mas, convenhamos: é preciso uma boa dose de ingenuidade — ou de vontade de acreditar em “história de desenho animado” — para comprar essa narrativa.
No fim das contas, o que se vê agora é o que sempre esteve ali: laços familiares falando mais alto. Afinal, primos são primos, e neste caso, “priminhos” com um histórico político que, ao que tudo indica, nunca deixou de ter suas pontes bem preservadas — ainda que, em alguns momentos, tenham tentado pintar o contrário para o público.
A nova configuração política em Pernambuco só escancara aquilo que muitos já desconfiavam: divergências, quando existiram, foram muito mais de conveniência do que de convicção. Porque, na prática, na hora decisiva, o alinhamento aparece — firme, forte e, claro, em família.
Enquanto isso, o eleitor assiste a tudo como quem já conhece o roteiro. Mudam-se os discursos, ajustam-se as estratégias, mas o sobrenome continua sendo um elo difícil de esconder. E, pelo visto, impossível de romper.
No fim, fica a lição: na política, até pode haver encenação. Mas há relações que nem o tempo — nem o discurso — conseguem disfarçar.



