Pesquisas recentes derrubam um mito comum e mostram que, quando bem conduzido, o bilinguismo pode fortalecer memória, atenção e autonomia em crianças com TDAH e TEA
São Paulo, junho de 2026 – Muitas famílias com crianças diagnosticadas com TDAH, Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou dislexia recebem, informalmente, uma recomendação sem respaldo científico: suspender ou adiar o aprendizado de um segundo idioma para evitar sobrecarga cognitiva. Pesquisas recentes, no entanto, apontam na direção contrária.
Uma revisão de escopo publicada em setembro de 2025 no periódico científico Children, da Universidade Metropolitana de Hong Kong, analisou estudos com crianças entre 4 e 12 anos diagnosticadas com transtornos do neurodesenvolvimento e a conclusão é que crianças autistas expostas a dois idiomas apresentaram desempenho superior em memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e controle inibitório em comparação com pares monolíngues (exatamente as funções executivas mais afetadas pelo TEA). O British Council, referência global em políticas de ensino de idiomas, corrobora o achado e afirma que pessoas neurodivergentes não apenas são capazes de aprender idiomas adicionais, como tendem a se beneficiar especialmente do processo.
Claudia Peruccini, gerente pedagógica da Red Balloon, rede de ensino de inglês referência no segmento há mais de 55 anos, aponta que o problema está na premissa que orienta o conselho dado às famílias. “O que muda para o estudante neurodivergente não é o ponto de chegada, é a rota de processamento. O aprendizado pode ser interno por um longo período antes de se manifestar na fala, e isso não deve ser confundido com ausência de progresso”, explica.
Esse fenômeno, chamado na literatura acadêmica de Silent Period, descreve a fase de absorção interna que precede a produção oral, pode ser mais prolongada em estudantes com perfis específicos de neurodesenvolvimento. Reconhecer esse processo é essencial para que educadores e famílias não interpretem silêncio como fracasso.
Peruccini aponta que três condições fazem diferença decisiva no aprendizado: um ambiente com rotina previsível e menor sobrecarga sensorial; tempo adequado para processamento e resposta; e segmentação de instruções com apoio visual. A flexibilidade nas formas de avaliação também é central. “Um adolescente com fobia de exposição oral pode demonstrar proficiência por meio de um vídeo gravado em vez de uma apresentação presencial. Isso é uma adaptação pedagógica legítima e embasada, não uma concessão”, diz.
Além do impacto individual, pesquisadores da área têm destacado um efeito coletivo: a presença de estudantes neurodivergentes em turmas regulares de idiomas tende a desenvolver empatia, colaboração e flexibilidade cognitiva em todos os alunos.
Os marcos de evolução em estudantes neurodivergentes frequentemente aparecem antes na compreensão do que na produção oral. Compreender comandos, usar espontaneamente expressões no novo idioma ou engajar-se de forma mais ativa em atividades com colegas são indicadores tão relevantes quanto a fluência na conversação. Também é importante lembrar que a família tem papel decisivo em reconhecer essas fases.
Para que essa jornada seja sustentável, Peruccini defende uma atuação integrada entre escola regular, escola de idiomas, família e equipe multidisciplinar. “O diagnóstico é um ponto de partida para entender como uma criança aprende. Não é um teto para o que ela pode alcançar.”
Sobre a Red Balloon
Fundada em 1969, a Red Balloon é referência no ensino de inglês para crianças e adolescentes, com uma metodologia própria desenvolvida para tornar o aprendizado natural, envolvente e divertido. A proposta pedagógica combina a aquisição do idioma com atividades práticas de imersão, como artes, culinária, projetos maker, entre outras, de acordo com a faixa etária e o estágio do aluno.
Presente em todo o Brasil, a rede conta com mais de 70 unidades e opera no modelo de Programa de Inglês com carga horária flexível — de 3 a 20 horas semanais —, adaptando-se à rotina escolar de cada estudante. Em 2024, a marca deu um novo passo em sua história com a inauguração da Red Balloon Bilingual School, sua primeira escola de educação bilíngue em São Paulo, ampliando seu compromisso com a formação global e o desenvolvimento integral dos alunos.




