InícioPolíticaFlávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro reconciliados ou tentativa de desviar a atenção?

Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro reconciliados ou tentativa de desviar a atenção?

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Rodrigo Augusto Prando, cientista político e professor de Sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)

O pré-candidato Flávio Bolsonaro tem, por conta de seu sobrenome e da rejeição ao lulopetismo, um virtual lugar no segundo turno da eleição de 2026 contra o presidente Lula. Assim, aproveitando ainda o clima de Copa do Mundo, Flávio poderia “jogar” parado no meio de campo e, quando possível, partir para o ataque para desgastar Lula. Contudo, uma situação adversa ocorreu. Vejamos.

Em 7 de maio, o primeiro desgaste contra Flávio Bolsonaro, uma operação de busca e apreensão contra Ciro Nogueira, que era cogitado até para ser vice na chapa; em 13 de maio, divulgação do áudio de Flávio Bolsonaro negociando com Daniel Vorcaro repasse de milhões para a cinebiografia “Dark Horse”, acerca de Jair Bolsonaro; no dia seguinte, reunião de emergência traz uma nota oficial afirmando tratar-se de “patrocínio privado para um filme privado”; em 19 de maio, Flávio Bolsonaro confirma que teria visitado Daniel Vorcaro em prisão domiciliar e de tornozeleira eletrônica.

Em 24 de junho, uma segunda bomba: um vídeo de Michelle Bolsonaro acusando Flávio Bolsonaro de maltratá-la e menosprezar sua importância política; em 7 de julho, Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, é preso em flagrante em operação que investiga lavagem de dinheiro em postos de gasolina; ao longo de julho a federação União Brasil-PP, que abrigava a candidatura de Canella indica que adotará posição de neutralidade em relação ao pré-candidato bolsonarista e indicado pelo Republicanos; ainda no mesmo mês, há impasses na escolha do vice na chapa de Flávio Bolsonaro; some-se a isso os desgastes produzidos pelo tarifaço de Trump cujo DNA está associado, inexoravelmente, ao clã Bolsonaro; e, por fim, o ministro do STF André Mendonça autoriza abertura de inquérito para investigar o dinheiro relacionado ao “Dark Horse” e ao envolvimento de Flávio Bolsonaro.

Faltando dois dias para a convenção do PL, Flávio Bolsonaro publica um vídeo pedindo desculpas para Michelle Bolsonaro e pouco tempo depois, Michelle responde dizendo que o perdoa e que devem seguir juntos, politicamente, em prol do Brasil e do líder maior, Jair Bolsonaro. Após todos os eventos negativos no bojo da pré-campanha do senador é provável que a reconciliação com Michelle seja, até aqui, a única boa notícia no campo político.

A reconciliação surge, concomitantemente, a uma informação de que o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais somando R$ 1,5 milhão para empresas ligadas à estrutura financeira de Daniel Vorcaro – duas notas foram canceladas e uma delas consta não ter registro de cancelamento.

A pergunta, aqui, é a seguinte: a reconciliação ajuda na convenção e é um ponto positivo após sequência de desgastes ou é, apenas, uma forma de desviar a atenção, agora, para essas notas fiscais indicando mais conexões com Vorcaro?

Em pouco mais de dez semanas, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro acumula desgastes em três frentes: judicial, com operações da PF voltadas aos aliados e ao filme “Dark Horse”; político-partidária, em que há resistência de apoio do Centrão e dificuldade de escolher candidato a vice na chapa; e familiar-simbólica, a partir da disputa pelo espólio político e eleitoral entre Michelle Bolsonaro e os filhos de Jair Bolsonaro.

Ressalte-se que os desgastes foram oriundos do próprio campo bolsonarista e não ataques do lulopetismo. Veremos, em breve, como serão as ações e reações quando a campanha de fato se iniciar e os desgastes de Flávio Bolsonaro forem explorados pelo campo governista. O jogo continuará: defesa, domínio do meio campo e ataques!

*O conteúdo dos artigos assinados não representa necessariamente a opinião do Mackenzie.

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie  

A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) foi eleita como a melhor instituição de educação privada do Estado de São Paulo em 2025, de acordo com o Ranking Universitário Folha 2025 (RUF). Segundo o ranking QS Latin America & The Caribbean Ranking, o Guia da Faculdade Quero Educação e Estadão, é também reconhecida entre as melhores instituições de ensino da América do Sul. Com mais de 70 anos, a UPM possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pela UPM contemplam Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

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