O tabuleiro eleitoral de Pernambuco acaba de ganhar mais uma dose de pimenta — e, desta vez, quem tem motivos para ficar de olho é João Campos.
Túlio Gadêlha entrou em campo e arrastou apoiadores do presidente Lula para o palanque da governadora Raquel Lyra. O movimento, além de engrossar o grupo que trabalha pela reeleição da governadora, representa uma nova baixa política para João Campos, que conta justamente com o apoio de Lula para fortalecer sua caminhada rumo ao Governo de Pernambuco.
A ironia do cenário não passa despercebida.
Enquanto João Campos tenta transformar o apoio de Lula em uma espécie de selo de força eleitoral para sua candidatura, Túlio Gadêlha mostra que o lulismo pernambucano não está necessariamente preso ao palanque do socialista.
E isso incomoda.
A cada liderança ou apoiador que atravessa a ponte em direção a Raquel, João perde um pouco da exclusividade sobre um eleitorado que pretende apresentar como seu principal trunfo. Afinal, se Lula está com João, mas seus apoiadores começam a desembarcar no grupo de Raquel, a conta política começa a ficar interessante.
Nos bastidores, a leitura é de que Raquel Lyra vem ampliando seu campo de diálogo justamente onde João Campos imaginava ter terreno mais confortável.
Túlio Gadêlha, que conhece bem os caminhos da esquerda pernambucana, acaba funcionando como uma espécie de ponte. E ponte, em eleição, serve para levar gente de um lado para o outro.
Para Raquel, o movimento é uma vitória política. Para João Campos, é uma baixa que chega em um momento em que sua campanha precisa demonstrar força e capacidade de reunir o campo político alinhado a Lula.
O mais curioso é que o episódio coloca uma pergunta inevitável na mesa: se o principal cabo eleitoral de João Campos é Lula, por que tantos lulistas estão encontrando espaço no palanque de Raquel Lyra?
A eleição ainda está começando, mas uma coisa já ficou evidente: o apoio de Lula pode estar no palanque de João Campos, mas o lulismo pernambucano não parece disposto a seguir em fila indiana.
E, na política, quando começa a ter gente pulando o muro, é bom conferir se o muro ainda está de pé.




