A partir do próximo domingo, 16 de agosto, a eleição de 2026 entra oficialmente em uma nova fase. É quando começa a propaganda eleitoral e os candidatos passam a poder pedir abertamente o voto do eleitor. A data marca a largada oficial de uma disputa que, em Pernambuco, tem concentrado as atenções principalmente em dois nomes: a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). O calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirma o dia 16 como o início da propaganda eleitoral nas ruas e na internet.
Os dois chegam à campanha com trajetórias políticas diferentes, mas carregam uma característica em comum: são herdeiros de importantes famílias políticas de Pernambuco.
Raquel Lyra é filha do ex-governador João Lyra Neto, que comandou Pernambuco em 2014, após a renúncia de Eduardo Campos para disputar a Presidência da República. Antes de chegar ao Palácio do Campo das Princesas, Raquel construiu sua própria trajetória política como deputada estadual e prefeita de Caruaru, sendo eleita governadora em 2022.
Do outro lado está João Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em agosto de 2014. O jovem socialista seguiu os passos do pai na política, foi deputado federal e, posteriormente, prefeito do Recife por dois mandatos. Agora, aos 32 anos, tenta dar um passo ainda maior na carreira política ao disputar o Governo de Pernambuco.
Uma eleição que começa embolada
O cenário que antecede o início oficial da campanha aponta para uma disputa bastante competitiva. Pesquisa Múltipla divulgada nesta semana mostrou Raquel Lyra com 45% das intenções de voto, contra 41% de João Campos, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
Outros levantamentos recentes também apontaram uma eleição sem distância confortável entre os dois principais candidatos. A pesquisa Genial/Quaest, por exemplo, indicou vantagem de Raquel em cenários de segundo turno, aumentando a pressão sobre João Campos para transformar sua força política e eleitoral no Recife em votos em todo o Estado.
É justamente no interior que começa uma das principais batalhas da eleição. Enquanto Raquel busca apresentar sua gestão, destacar obras, investimentos e entregas realizadas pelo Governo de Pernambuco, João Campos trabalha para ampliar sua presença fora da Região Metropolitana e construir uma imagem de candidato capaz de representar uma nova geração da política pernambucana.
Raquel aposta na gestão
Na condição de governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra terá como principal argumento a defesa do próprio governo. A estratégia passa por transformar obras, investimentos e ações realizadas nos municípios em discurso eleitoral.
Às vésperas do início da campanha, a governadora tem concentrado sua agenda em entregas e articulações políticas, enquanto busca manter uma posição própria no cenário nacional. A estratégia também é uma tentativa de evitar que a eleição estadual seja reduzida exclusivamente à polarização nacional entre Lula e o bolsonarismo.
Raquel também chega ao período oficial de campanha com uma ampla rede de apoios políticos construída ao longo dos últimos meses, incluindo prefeitos e lideranças de diferentes regiões do Estado.
João Campos busca nacionalizar a disputa
João Campos, deverá explorar fortemente sua ligação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o campo político de esquerda. A participação de Lula na propaganda eleitoral do candidato socialista já foi confirmada, com gravação prevista para esta sexta-feira (14). O material deverá ser exibido no horário eleitoral gratuito a partir de 28 de agosto.
A associação com Lula é considerada estratégica para João, principalmente para ampliar sua competitividade fora do Recife e da Região Metropolitana. O desafio será transformar a popularidade do presidente em votos para o candidato do PSB em um Estado onde Raquel também busca dialogar com o eleitorado lulista.
Uma disputa que vai além dos sobrenomes
Apesar da força dos sobrenomes Lyra e Campos, a eleição de 2026 deverá exigir dos dois candidatos muito mais do que a tradição política de suas famílias.
Raquel terá de convencer o eleitor de que merece mais quatro anos para consolidar sua gestão. João Campos precisará mostrar que sua experiência à frente da Prefeitura do Recife o credencia para administrar todo o Estado.
E é justamente a partir de 16 de agosto que essa disputa deixa definitivamente o campo da pré-campanha e passa para as ruas, redes sociais, debates, comícios e propaganda eleitoral.
Com pesquisas apontando uma corrida apertada, dois grupos políticos fortes e uma disputa que envolve também os palanques nacional e estadual, Pernambuco entra oficialmente em uma das eleições mais importantes de sua história recente.
Raquel Lyra e João Campos têm sobrenomes conhecidos, estruturas políticas consolidadas e projetos distintos para Pernambuco. Agora, começa a fase em que cada um terá que transformar discurso em voto.
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