Embora possa estar relacionado à ansiedade, na maioria das vezes o choro faz parte do processo natural de adaptação escolar.
A entrada na escola envolve uma série de mudanças ao mesmo tempo: novos ambientes, outros adultos como referência, mais crianças, além de horários e uma rotina diferente daquela vivida em casa. Para uma criança pequena, tudo isso pode despertar emoções que ela ainda não consegue expressar de outra maneira.
“É natural que esse processo desperte emoções intensas. O choro, muitas vezes, é apenas a forma que ela encontra para comunicar aquilo que ainda não consegue colocar em palavras”, explica Marília Paiva, supervisora pedagógica da Rede Fadelito de Educação Infantil. “Isoladamente, não deve ser interpretado como sinal de que algo está errado. É preciso analisar todo o contexto”, completa.
Chorar na entrada não significa passar o dia angustiado
Nos primeiros dias, é comum que a criança chore no momento da despedida dos pais ou ao chegar à escola. O que acontece depois, porém, também é importante observar.
“Em muitos casos, poucos minutos depois da separação, a criança consegue se acalmar, brincar, interagir com os colegas e participar das atividades. Isso pode indicar que ela está conseguindo lidar com a separação e, aos poucos, construir confiança no novo ambiente”, explica a especialista.
O mais importante é saber que o choro na chegada não significa, necessariamente, que aquela angústia vai permanecer durante todo o período escolar. Muitas vezes, a criança rapidamente encontra segurança na rotina, no acolhimento da equipe e nas interações com outras crianças.
A reação também pode reaparecer depois de finais de semana, férias ou mudanças na rotina familiar. Isso não significa necessariamente que houve um retrocesso. Na primeira infância, a capacidade de compreender e regular as próprias emoções ainda está em desenvolvimento.
Sono, fome, cansaço, desconforto e até uma mudança na rotina de casa podem influenciar o comportamento dos pequenos.
“Antes de interpretar a reação emocional como um problema, é importante entender de onde ela vem e por que acontece. A criança está comunicando algo, e cabe aos adultos acolher essa mensagem com sensibilidade”, explica a especialista.
Quando o choro merece atenção?
A situação passa a merecer uma atenção maior quando não apresenta melhora gradual ou aparece acompanhada de outras mudanças importantes no comportamento.
Se o choro for intenso e persistente durante todo o período escolar, acompanhado de recusa constante em participar das atividades, alterações significativas no sono ou na alimentação e, ainda, regressões persistentes, isso pode sinalizar que a criança está enfrentando uma dificuldade que precisa ser melhor compreendida.
“Nessas situações, a recomendação é que família e escola conversem e observem juntas o que está acontecendo, levando em conta a história e o ritmo de cada criança”, afirma Marília.
“Cada situação precisa ser analisada individualmente. O mais importante é fortalecer o diálogo entre família e escola para entender o que a criança está vivenciando e quais estratégias podem ajudá-la nesse processo”, completa.
O papel da escola na adaptação
“A adaptação não consiste em fazer a criança parar de chorar, mas em ajudá-la a desenvolver segurança. O vínculo com os educadores, a previsibilidade da rotina e o acolhimento respeitoso são fundamentais para que ela se sinta pertencente ao ambiente escolar”, explica a supervisora pedagógica.
Ou seja, o objetivo da adaptação não deve ser fazer a criança parar de chorar o mais rápido possível. “O mais importante é ajudá-la a construir novas relações e perceber que o ambiente da escola é previsível e seguro”, explica a especialista.
E o que os pais podem fazer?
A maneira como os adultos conduzem a despedida também influencia esse processo. Despedidas longas, inseguras ou feitas de forma escondida podem aumentar a ansiedade da criança.
“O ideal é transmitir segurança, manter uma rotina previsível e evitar prolongar o momento da separação”, orienta Marília.
Também é importante não fazer comparações com outras crianças. Cada uma reage de uma maneira à mudança e pode precisar de mais ou menos tempo para se sentir confortável.
“As crianças observam muito mais as atitudes do que as palavras. Quando percebem que os adultos confiam na escola e mantêm uma postura tranquila, elas tendem a enfrentar esse desafio com mais segurança”, diz Marília.
Mais do que contar quantos dias a criança levou para parar de chorar, família e escola devem observar como ela está construindo sua relação com aquele novo ambiente.
“Aos poucos, a despedida tende a deixar de ser o centro da experiência e dá lugar à curiosidade, às brincadeiras e aos vínculos que a criança começa a estabelecer”, afirma Marília.
Sobre o Fadelito: Fundado há 27 anos, o Fadelito é a maior rede especializada exclusivamente em Educação Infantil do país. Com 36 unidades em São Paulo, a rede já contribuiu para a formação de mais de 35 mil crianças e conta atualmente com cerca de 1.600 colaboradores.
Atendendo crianças de 4 meses a 5 anos e 11 meses, o Fadelito possui metodologia socioafetiva própria, desenvolvida por um comitê pedagógico multidisciplinar, que une acolhimento, cuidado e aprendizagem. Entre seus diferenciais está o Baby Learning, programa exclusivo voltado ao desenvolvimento motor e cognitivo dos bebês.
O Fadelito acredita que cuidar da primeira infância é contribuir para a formação de indivíduos mais preparados para a vida e para a construção de uma sociedade melhor. Afinal, é nos primeiros anos que se lançam as bases do desenvolvimento cognitivo, emocional e social — e do futuro que queremos construir.




