A fala do senador Humberto Costa (PT), em entrevista ao podcast Arenga Política, foi dada para reforçar a confiança na candidatura de João Campos (PSB), mas acabou abrindo espaço para uma pergunta incômoda nos bastidores da política pernambucana: Se João Campos tem mesmo discurso e bagagem suficientes para vencer a eleição sem Lula, como afirmou o próprio Humberto, por que a presença do presidente continua sendo tratada como tão importante pela campanha? O senador afirmou acreditar na vitória de João e disse que o candidato vem crescendo, destacando a força do grupo político e a ligação com o presidente Lula. Até aí, tudo dentro do esperado. O detalhe é que, logo depois, Humberto reconhece que a presença de Lula daria um reforço à campanha e revela que é o próprio João Campos quem está negociando diretamente a vinda do presidente a Pernambuco. E aí está o ponto que pode incomodar o socialista. Se João realmente não precisa de Lula para vencer, por que tamanha expectativa em torno de uma visita presidencial? A declaração de Humberto pode até ter sido pensada como uma demonstração de confiança, mas também permite uma leitura inversa: quanto mais se tenta dizer que João não depende de Lula, mais a ausência do presidente passa a chamar atenção.
O próprio Humberto Costa confirmou que Lula teria dito que viria a Pernambuco e que João ficou responsável por negociar a data. Ou seja, a presença do presidente não é apenas uma questão secundária; está diretamente nas mãos do candidato do PSB. Nos bastidores, naturalmente, surge a dúvida: Será que João está tão forte assim a ponto de dispensar o principal cabo eleitoral do seu campo político ou a presença de Lula continua sendo considerada necessária para dar musculatura à candidatura? Afinal, se a campanha já estivesse suficientemente consolidada, a ausência de Lula deveria ser apenas um detalhe, e não um assunto tão recorrente.
A fala de Humberto, portanto, pode ter produzido um efeito curioso: na tentativa de mostrar que João Campos tem força própria, acabou colocando Lula novamente no centro da discussão. No jogo político, às vezes, aquilo que se tenta minimizar acaba ganhando ainda mais destaque.
Perguntar não ofende
Se João não precisa de Lula, por que a campanha continua tão empenhada em garantir a presença do presidente em Pernambuco?




