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Quando a discussão política começa a adoecer o ambiente de trabalho

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Por Gustavo Chehara, CEO da Joyn Benefícios

As eleições de 2026 ainda não chegaram às urnas, mas a política já entrou definitivamente no ambiente de trabalho. Está nas conversas durante o almoço, nos grupos de WhatsApp, nas redes sociais e nas relações entre gestores e equipes. O problema começa quando a divergência deixa de ser apenas uma manifestação individual e passa a interferir na convivência entre pessoas que precisam trabalhar juntas.

Os números mostram que o assunto merece atenção. O Ministério Público do Trabalho recebeu 463 denúncias de assédio eleitoral em 2026 até meados de setembro, sendo 199 apenas neste mês. Em 2022, quando o tema ganhou grande repercussão, o MPT identificou cerca de 3,5 mil casos ao longo daquele ciclo eleitoral.

Uma pesquisa divulgada neste ano pela Justiça do Trabalho também analisou processos registrados entre maio de 2023 e dezembro de 2025 e encontrou características de assédio institucional em 92% das ações avaliadas. Em 81,9%, houve o que o estudo classificou como “terror psicológico”. O WhatsApp apareceu como o principal meio tecnológico utilizado nas práticas analisadas.

Nem todo conflito político, porém, configura assédio eleitoral e nem toda conversa sobre eleições é prejudicial. Há uma zona anterior a isso que também precisa estar no radar das empresas. Ela aparece quando colegas deixam de colaborar por diferenças ideológicas, discussões se tornam hostis ou um profissional começa a se sentir constrangido a revelar ou justificar suas posições.

Há evidências de que períodos eleitorais podem afetar as relações profissionais. Uma pesquisa divulgada pela FGV em março deste ano, identificou intensificação de conflitos interpessoais e de comportamentos prejudiciais ao desempenho durante períodos eleitorais entre servidores públicos, principalmente em organizações mais politizadas.

É nesse ponto que o RH precisa atuar. A empresa não deve determinar o que seus colaboradores pensam politicamente. O voto e as convicções são individuais. A responsabilidade da organização está em estabelecer limites de convivência e impedir que essas diferenças resultem em intimidação, discriminação ou prejuízo profissional.

Isso exige olhar para comportamentos, e não para posições políticas. Orientar gestores, definir regras para canais corporativos, criar meios seguros de escuta e deixar claro que uma divergência política não pode interferir em avaliações, oportunidades ou relações hierárquicas são medidas importantes.

Também existe uma dimensão de saúde que não pode ser ignorada. Quando conflitos persistentes se transformam em tensão e hostilidade, o RH pode acompanhar pesquisas de clima, absenteísmo, afastamentos, procura pelos canais de apoio e indicadores agregados de utilização dos benefícios de saúde.

Na gestão de benefícios, por exemplo, dados consolidados podem ajudar a identificar mudanças no comportamento de determinada população. Um crescimento na utilização de serviços relacionados à saúde mental não permite concluir que a causa seja uma eleição ou um conflito político. Seria irresponsável estabelecer essa relação automaticamente. Mas o indicador pode funcionar como um sinal para que o RH investigue o contexto e avalie, junto a outras informações, se existe algum problema organizacional que merece atenção.

Esse cuidado também impõe um limite importante. Dados de saúde devem servir para compreender tendências coletivas e orientar políticas de prevenção e cuidado, nunca para vigiar indivíduos ou tentar relacionar informações médicas às suas posições políticas.

As eleições passam, mas as relações profissionais permanecem. O desafio do RH em 2026 não será impedir que política seja discutida dentro das empresas. Será garantir que diferenças legítimas de opinião não atravessem a fronteira entre o debate e um ambiente de trabalho hostil.

*Gustavo Chehara é CEO da Joyn Benefícios, hub de soluções corporativas que atua de forma consultiva, ajudando empresas a reduzir custos, simplificar processos e aprimorar a experiência dos colaboradores, vem conquistando espaço como parceira estratégica de RH ao oferecer uma gestão completa, inteligente e descomplicada. Com uma metodologia própria e foco em resultados, a empresa ajuda companhias de diversos setores a reduzir em pelo menos 10% os custos com planos de saúde, além de otimizar todo o ecossistema de benefícios.

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