Ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro foi o único senador a votar contra o fim da escala 6×1, enquanto Flávio Bolsonaro apoiou a proposta.
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), general da reserva e vice-presidente da República durante o governo Jair Bolsonaro, acabou protagonizando um episódio que favorece politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na votação do fim da escala de trabalho 6×1, realizada pelo Senado nesta quarta-feira (14), Mourão foi o único parlamentar a votar contra a proposta, aprovada por 75 votos a 1. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje principal nome político da família Bolsonaro na disputa presidencial, registrou voto favorável. Leia mais no UOL.
O resultado representa uma vitória política para Lula, que transformou a redução da jornada de trabalho em uma das principais bandeiras de seu governo. Ao se posicionar contra a medida, Mourão acabou oferecendo munição ao discurso petista de que setores da direita resistem a mudanças nas condições de trabalho.
A situação levanta uma pergunta incômoda para o bolsonarismo: afinal, qual é o compromisso desse campo político com as pautas trabalhistas?
Mourão foi um dos nomes mais importantes do governo Bolsonaro e ocupou a vice-presidência da República entre 2019 e 2022. Agora, sua posição na votação contrasta até mesmo com a de Flávio Bolsonaro, aliado político e candidato que busca representar o legado do pai.
É importante registrar que um único voto não define toda a atuação de um grupo político. Ainda assim, o episódio abre espaço para o debate sobre as prioridades da direita brasileira: quando o assunto é reduzir a jornada e ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores, o discurso político precisa ser confrontado com as decisões tomadas no Congresso.
No fim das contas, Mourão pode até ter votado contra a proposta por convicção, mas o efeito político foi claro: ajudou Lula a fortalecer uma de suas principais bandeiras eleitorais e colocou o bolsonarismo diante de uma contradição difícil de ignorar.
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